Antes de tentar explicar esta crise maluca que pegou os EUA de sopetão, vou deixar bem claro que não sou economista, nem nada parecido (portanto não cobrem detalhes técnicos).
Sou apenas um "palpiteiro chiliquento", que procura se informar sobre o que tá rolando ao redor do mundo, ok?
Pra explicar, vamos trazer a crise pra algo do "nosso" cotidiano?
Cerveja, que tal?
Então vamos lá:
Imagine que um boteco bem chinelão (tipo o bar da Marthona, onde eu comprava vodka vagabunda lá em Bebedouro).
Esse boteco, vendo que os malucos queriam beber uma ceva gelada no calor infernal do norte paulista e que não possuíam grana, resolve vender fiado pra esses malucos, só que sem garantia nenhuma de que eles pagariam e por isso aumenta um pouquinho o preço do sagrado líquido derivado da cevada (pra compensar o risco do calote).
Aí eu pergunto:
Se você tá afim de toma uma(s) e não tem grana, não se importaria de "pagar" um pouco a mais numa ceva fiada, não é mesmo?
Sendo assim, todo mundo então começa a comprar (fiado) no bar supracitado!
Mas...chega uma hora que o estoque de ceva da Marthona acaba e ela precisa reabastecer, certo?
Pois bem, aí ela compra da Cerbel ceva suficiente pra deixar o estoque abarrotado!
Mas ela não tem grana para pagar, afinal vendeu fiado pra todo mundo.
Porém o dono da Cerbel é um cara esperto, e como a compra da Marthona é grande ele tem a seguinte estratégia:
As cevas "pinduradas" pelos bebuns no bar não seriam uma garantia de pagamento?
Claro que sim!
Diante disso, a Marthona assumi o compromisso de pagar a Cerbel assim que os clientes pagarem suas contas, ou seja, indiretamente os clientes passam a dever pra Cerbel e não mais pra Marthona, certo?
E assim passa-se o tempo, os bebuns compram mais fiado, o bar renova seu estoque semanalmente dando como "garantia do pagamento" as dívidas dos pobres alcoólatras bebedourenses...
Até que chega o dia em que a Cerbel precisa de um empréstimo bancário num banquinho pequeno, e advinhem vocês, o que ela (a Cerbel) dá como garantia de pagamento?
Háhá!
Isso mesmo, a dívida da Marthona! Porém sem explicar a origem dessa dívida.(que na real é a dívida de cada um que se embreagou na base do "Martha, amanhã eu te pago!")
Agora imaginem:
- Ao invez de apenas um "Bar da Marthona", existam vários bares fazendo esse mesmo esquema com a "Cerbel" e que exitam também várias distribuidoras de bebidas fazendo esse mesmo esquema com os bancos...
- Esses bancos (os pequenos) são "especialistas" nesse tipo de negócio e possuem quase 100% de seu valor, baseado nesse tipo de operação.
- Esses bancos, também precisam capturar grana no mercado, e por isso adquirem empréstimos com outros bancos maiores e como garantia do pagamento desses empréstimos deixam as dívidas das distribuidoras (também sem explicar a origem dela).
Tá dando pra perceber que vai dar merda esse negócio, neh!?
Continuando o exercício de imaginação, imaginem agora que uma grande parcela dos bêbados não paga sua conta pra Marthona, aí a ela não consegue pagar a Cerbel que consequentemente não consegue pagar o banco pequeno, que por sua vez não consegue pagar o "bancão".
O que acontece?
Simples:
O boteco chinelão (assim como os outros) quebra, a Cerbel fica sem receber o que o boteco devia e...quebra também!
Aí a Cerbel (assim como as outras) não paga o empréstimo que fez no banco pequeno, e o banco "anão"...quebra também!
Agora, advinhem o que acontece com o banco "grande" que emprestou grana pra um monte de bancos pequenos? (nem preciso dizer neh!?)
Agora substitua as cervejas lá em cima por casas;
Substitua também os "bares da Marthona" por instituições financeiras;
E por fim substitua os bebuns do inteior de São Paulo pelo "povão" americano sedento por comprar suas casas e manter o "Way of Life" americano vivo...
Feito isso, pronto: Você acaba de entender, de forma simplificada, a crise americana!