Dessa vez quem escreve, muitíssimo bem diga-se de passagem, é a Fernanda que fala sobre o "impacto do avanço da tecnologia na vida e no comportamento das pessoas", mostra alguns pontos positivos e negativos dessa modernidade que a cada dia invade mais nosso dia-a-dia e como se tudo isso não fosse suficiente, ela ainda dá umas dicas sobre turismo, fotografia e música (haja competência pra linkar os assuntos dessa forma, hein Dona Fernanda!)
Apertem os cintos e boa viagem!
Travelling without moving
Por Fernanda Granado*

A seção “Você escreve” tem abordado, até agora, temas ligados à tecnologia e principalmente ao impacto de seu avanço na vida e no comportamento das pessoas. Essa, a meu ver, é uma questão extremamente ampla e que deve cada vez mais ser debatida não só por estudiosos como antropólogos, cientistas sociais e especialistas em recursos humanos, mas também por todos nós, “simples mortais”, que estamos diariamente expostos às “maravilhas” da tecnologia.
Bem, apesar dessa introdução meio filosófica, não é minha intenção (nem pretensão) fazer aqui uma análise aprofundada, nem me posicionar contra ou a favor qualquer coisa. Os posts anteriores me fizeram refletir, e vou apenas trazer novamente o assunto, usando como pano de fundo dois tópicos que muito me interessam: turismo e educação.
Você já esteve em Amsterdam? Não? Nem eu. Mas sempre tive muita vontade, desde a adolescência, quando ouvi comentários da professora de geografia e vi uma reportagem com algumas imagens na tv. Só isso foi o suficiente para despertar minha curiosidade, mas foi realmente só.
Naquela época o acesso à informação era infinitamente mais restrito que hoje; não tínhamos internet, com seus milhares de sites e blogs jorrando vídeos, imagens, artigos, etc. Era a época em que para escutar sua música favorita era preciso telefonar para a rádio e pedi-la. E depois ficar esperando, com uma fitinha K7 preparada no toca fitas para gravá-la na hora que tocasse (e estar sujeito a ter a gravação estragada por uma propaganda da rádio no meio da música...).
Agora imagina um jovem estudante hoje, escutando comentários sobre Amsterdam e se interessando pela cidade. Ele senta na frente de um computador e, 10 minutos depois, já viu umas 100 fotos da cidade em alguns blogs, já teve acesso a diversas informações sobre economia e cultura do local, disponíveis no site oficial da cidade e, o principal, consegue enxergar toda Amsterdam em um passeio virtual proporcionado em giros de 360º pelo Google Street View.
Esse, sem dúvida, na minha opinião, é um bom exemplo de como a tecnologia pode ser útil e facilitar nossas vidas. Acho o máximo “viajar sem sair de casa”. Já tenho boas milhas acumuladas nessa modalidade.
Mas, assim como pra mim um bate-papo num chat ou um scrap no orkut não trazem nem de perto o mesmo prazer de uma reunião entre amigos num happy hour (regado a uma boa ceva), é claro que conhecer outros lugares pela internet não te proporciona a emoção de ver, ouvir e sentir tudo ao vivo, pessoalmente.
Cheiros, vento, buzinas, rostos, expressões e vozes são algo que, muitas vezes, não podem ser transmitidos com suas reais intensidades nem por filmadoras. Digo isso com base nas minhas milhas acumuladas na modalidade travelling for real.
Hoje, por exemplo, é possível fazer um tour virtual pelo Louvre, mas, por experiência própria, posso dizer que ele não vai te dar a verdadeira emoção de entrar no salão que está a Monalisa e pensar “nossa, em alguns segundos vou ver de perto a Monalisa”, nem o prazer e ao mesmo tempo a frustração de quando a vê (cercada por dezenas de japoneses e suas hiper ultra modernas câmeras fotográficas): “é só isso? Tão pequena assim?”, a ponto de você perceber que existem obras, digamos, mais interessantes, na mesma sala.
Mas, não é legal um professor de história, em vez de ficar na frente da sala de aula fazendo um monólogo, levar os alunos para o laboratório de informática e, enquanto explana sobre o Renascimento, fazê-los navegar pelo Louvre, vendo Mona Lisa, Pietá, Venus de Milo? Isso seria viajar no temposem sair de casa!
Basta refletir e tentar buscar a utilização criativa do que a tecnologia e as ferramentas virtuais nos proporcionam, seja para dar uma aula melhor, para preparar uma viagem ou conhecer mais sobre determinados assuntos...
Na internet há de tudo. São várias as bobagens que ficam piscando na tela nos chamando a perder tempo, mas se você souber o que está procurando, pode tirar muito proveito.
Pra finalizar, aqui vai uma dica de algo que conheci em uma das minhas ‘aventuras’ pela internet, e que certamente vai encantar os apaixonados por viagens como eu: conheça o projeto “The Earth from above”, idealizado pelo francês Yann Arthus-Bertrand.
Pra quem dificilmente um dia terá o prazer de viajar o mundo num balão, o site www.yannarthusbertrand.com expõe fotos tiradas all around the world por Yann e sua equipe, do alto, em balões, aviões e afins.
A emoção certamente não é a mesma que a deles ao tirar as fotos, mas vale a pena ver a beleza das imagens. São magníficas. Mais uma forma de viajar sem sair de casa...
Em tempo: depois que coloquei o título “Travelling without moving” no post, me dei conta que esse é o nome de um dos álbuns de uma banda que eu gosto muito, mas que anda meio sumida ultimamente, o Jamiroquai.
Pra quem não conhece, é uma banda inglesa que toca o que se chama de acid jazz, gênero que combina elementos de soul music, funk e disco.
“Travelling without moving” é o terceiro álbum da banda, foi lançado em 1996, e contém o sucesso "Virtual Insanity".
* Fernanda Granado é uma corinthiana nascida em Santos, uma paulista que mora no RS, uma administradora (quase mestre) e, reza a lenda, é a mulher que ensinou aos irlandeses como se joga futebol decentemente.

A seção “Você escreve” tem abordado, até agora, temas ligados à tecnologia e principalmente ao impacto de seu avanço na vida e no comportamento das pessoas. Essa, a meu ver, é uma questão extremamente ampla e que deve cada vez mais ser debatida não só por estudiosos como antropólogos, cientistas sociais e especialistas em recursos humanos, mas também por todos nós, “simples mortais”, que estamos diariamente expostos às “maravilhas” da tecnologia.
Bem, apesar dessa introdução meio filosófica, não é minha intenção (nem pretensão) fazer aqui uma análise aprofundada, nem me posicionar contra ou a favor qualquer coisa. Os posts anteriores me fizeram refletir, e vou apenas trazer novamente o assunto, usando como pano de fundo dois tópicos que muito me interessam: turismo e educação.
Você já esteve em Amsterdam? Não? Nem eu. Mas sempre tive muita vontade, desde a adolescência, quando ouvi comentários da professora de geografia e vi uma reportagem com algumas imagens na tv. Só isso foi o suficiente para despertar minha curiosidade, mas foi realmente só.
Naquela época o acesso à informação era infinitamente mais restrito que hoje; não tínhamos internet, com seus milhares de sites e blogs jorrando vídeos, imagens, artigos, etc. Era a época em que para escutar sua música favorita era preciso telefonar para a rádio e pedi-la. E depois ficar esperando, com uma fitinha K7 preparada no toca fitas para gravá-la na hora que tocasse (e estar sujeito a ter a gravação estragada por uma propaganda da rádio no meio da música...).
Agora imagina um jovem estudante hoje, escutando comentários sobre Amsterdam e se interessando pela cidade. Ele senta na frente de um computador e, 10 minutos depois, já viu umas 100 fotos da cidade em alguns blogs, já teve acesso a diversas informações sobre economia e cultura do local, disponíveis no site oficial da cidade e, o principal, consegue enxergar toda Amsterdam em um passeio virtual proporcionado em giros de 360º pelo Google Street View.
Esse, sem dúvida, na minha opinião, é um bom exemplo de como a tecnologia pode ser útil e facilitar nossas vidas. Acho o máximo “viajar sem sair de casa”. Já tenho boas milhas acumuladas nessa modalidade.
Mas, assim como pra mim um bate-papo num chat ou um scrap no orkut não trazem nem de perto o mesmo prazer de uma reunião entre amigos num happy hour (regado a uma boa ceva), é claro que conhecer outros lugares pela internet não te proporciona a emoção de ver, ouvir e sentir tudo ao vivo, pessoalmente.
Cheiros, vento, buzinas, rostos, expressões e vozes são algo que, muitas vezes, não podem ser transmitidos com suas reais intensidades nem por filmadoras. Digo isso com base nas minhas milhas acumuladas na modalidade travelling for real.
Hoje, por exemplo, é possível fazer um tour virtual pelo Louvre, mas, por experiência própria, posso dizer que ele não vai te dar a verdadeira emoção de entrar no salão que está a Monalisa e pensar “nossa, em alguns segundos vou ver de perto a Monalisa”, nem o prazer e ao mesmo tempo a frustração de quando a vê (cercada por dezenas de japoneses e suas hiper ultra modernas câmeras fotográficas): “é só isso? Tão pequena assim?”, a ponto de você perceber que existem obras, digamos, mais interessantes, na mesma sala.
Mas, não é legal um professor de história, em vez de ficar na frente da sala de aula fazendo um monólogo, levar os alunos para o laboratório de informática e, enquanto explana sobre o Renascimento, fazê-los navegar pelo Louvre, vendo Mona Lisa, Pietá, Venus de Milo? Isso seria viajar no temposem sair de casa!
Basta refletir e tentar buscar a utilização criativa do que a tecnologia e as ferramentas virtuais nos proporcionam, seja para dar uma aula melhor, para preparar uma viagem ou conhecer mais sobre determinados assuntos...
Na internet há de tudo. São várias as bobagens que ficam piscando na tela nos chamando a perder tempo, mas se você souber o que está procurando, pode tirar muito proveito.
Pra finalizar, aqui vai uma dica de algo que conheci em uma das minhas ‘aventuras’ pela internet, e que certamente vai encantar os apaixonados por viagens como eu: conheça o projeto “The Earth from above”, idealizado pelo francês Yann Arthus-Bertrand.
Pra quem dificilmente um dia terá o prazer de viajar o mundo num balão, o site www.yannarthusbertrand.com expõe fotos tiradas all around the world por Yann e sua equipe, do alto, em balões, aviões e afins.
A emoção certamente não é a mesma que a deles ao tirar as fotos, mas vale a pena ver a beleza das imagens. São magníficas. Mais uma forma de viajar sem sair de casa...
Em tempo: depois que coloquei o título “Travelling without moving” no post, me dei conta que esse é o nome de um dos álbuns de uma banda que eu gosto muito, mas que anda meio sumida ultimamente, o Jamiroquai.Pra quem não conhece, é uma banda inglesa que toca o que se chama de acid jazz, gênero que combina elementos de soul music, funk e disco.
“Travelling without moving” é o terceiro álbum da banda, foi lançado em 1996, e contém o sucesso "Virtual Insanity".
* Fernanda Granado é uma corinthiana nascida em Santos, uma paulista que mora no RS, uma administradora (quase mestre) e, reza a lenda, é a mulher que ensinou aos irlandeses como se joga futebol decentemente.