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terça-feira, 19 de maio de 2009

Travelling without moving

Confesso que quando lancei esta seção no blog, não imaginava que a qualidade dos textos que receberia aqui seria tão alta!

Dessa vez quem escreve, muitíssimo bem diga-se de passagem, é a Fernanda que fala sobre o "impacto do avanço da tecnologia na vida e no comportamento das pessoas", mostra alguns pontos positivos e negativos dessa modernidade que a cada dia invade mais nosso dia-a-dia e como se tudo isso não fosse suficiente, ela ainda dá umas dicas sobre turismo, fotografia e música (haja competência pra linkar os assuntos dessa forma, hein Dona Fernanda!)

Apertem os cintos e boa viagem!

Travelling without moving
Por Fernanda Granado*


A seção “Você escreve” tem abordado, até agora, temas ligados à tecnologia e principalmente ao impacto de seu avanço na vida e no comportamento das pessoas. Essa, a meu ver, é uma questão extremamente ampla e que deve cada vez mais ser debatida não só por estudiosos como antropólogos, cientistas sociais e especialistas em recursos humanos, mas também por todos nós, “simples mortais”, que estamos diariamente expostos às “maravilhas” da tecnologia.

Bem, apesar dessa introdução meio filosófica, não é minha intenção (nem pretensão) fazer aqui uma análise aprofundada, nem me posicionar contra ou a favor qualquer coisa. Os posts anteriores me fizeram refletir, e vou apenas trazer novamente o assunto, usando como pano de fundo dois tópicos que muito me interessam: turismo e educação.

Você já esteve em Amsterdam? Não? Nem eu. Mas sempre tive muita vontade, desde a adolescência, quando ouvi comentários da professora de geografia e vi uma reportagem com algumas imagens na tv. Só isso foi o suficiente para despertar minha curiosidade, mas foi realmente só.

Naquela época o acesso à informação era infinitamente mais restrito que hoje; não tínhamos internet, com seus milhares de sites e blogs jorrando vídeos, imagens, artigos, etc. Era a época em que para escutar sua música favorita era preciso telefonar para a rádio e pedi-la. E depois ficar esperando, com uma fitinha K7 preparada no toca fitas para gravá-la na hora que tocasse (e estar sujeito a ter a gravação estragada por uma propaganda da rádio no meio da música...).

Agora imagina um jovem estudante hoje, escutando comentários sobre Amsterdam e se interessando pela cidade. Ele senta na frente de um computador e, 10 minutos depois, já viu umas 100 fotos da cidade em alguns blogs, já teve acesso a diversas informações sobre economia e cultura do local, disponíveis no site oficial da cidade e, o principal, consegue enxergar toda Amsterdam em um passeio virtual proporcionado em giros de 360º pelo Google Street View.

Esse, sem dúvida, na minha opinião, é um bom exemplo de como a tecnologia pode ser útil e facilitar nossas vidas. Acho o máximo “viajar sem sair de casa”. Já tenho boas milhas acumuladas nessa modalidade.
Mas, assim como pra mim um bate-papo num chat ou um scrap no orkut não trazem nem de perto o mesmo prazer de uma reunião entre amigos num happy hour (regado a uma boa ceva), é claro que conhecer outros lugares pela internet não te proporciona a emoção de ver, ouvir e sentir tudo ao vivo, pessoalmente.

Cheiros, vento, buzinas, rostos, expressões e vozes são algo que, muitas vezes, não podem ser transmitidos com suas reais intensidades nem por filmadoras. Digo isso com base nas minhas milhas acumuladas na modalidade travelling for real.

Hoje, por exemplo, é possível fazer um tour virtual pelo Louvre, mas, por experiência própria, posso dizer que ele não vai te dar a verdadeira emoção de entrar no salão que está a Monalisa e pensar “nossa, em alguns segundos vou ver de perto a Monalisa”, nem o prazer e ao mesmo tempo a frustração de quando a vê (cercada por dezenas de japoneses e suas hiper ultra modernas câmeras fotográficas): “é só isso? Tão pequena assim?”, a ponto de você perceber que existem obras, digamos, mais interessantes, na mesma sala.

Mas, não é legal um professor de história, em vez de ficar na frente da sala de aula fazendo um monólogo, levar os alunos para o laboratório de informática e, enquanto explana sobre o Renascimento, fazê-los navegar pelo Louvre, vendo Mona Lisa, Pietá, Venus de Milo? Isso seria viajar no temposem sair de casa!

Basta refletir e tentar buscar a utilização criativa do que a tecnologia e as ferramentas virtuais nos proporcionam, seja para dar uma aula melhor, para preparar uma viagem ou conhecer mais sobre determinados assuntos...

Na internet há de tudo. São várias as bobagens que ficam piscando na tela nos chamando a perder tempo, mas se você souber o que está procurando, pode tirar muito proveito.

Pra finalizar, aqui vai uma dica de algo que conheci em uma das minhas ‘aventuras’ pela internet, e que certamente vai encantar os apaixonados por viagens como eu: conheça o projeto “The Earth from above”, idealizado pelo francês Yann Arthus-Bertrand.
Pra quem dificilmente um dia terá o prazer de viajar o mundo num balão, o site www.yannarthusbertrand.com expõe fotos tiradas all around the world por Yann e sua equipe, do alto, em balões, aviões e afins.
A emoção certamente não é a mesma que a deles ao tirar as fotos, mas vale a pena ver a beleza das imagens. São magníficas. Mais uma forma de viajar sem sair de casa...



Em tempo: depois que coloquei o título “Travelling without moving” no post, me dei conta que esse é o nome de um dos álbuns de uma banda que eu gosto muito, mas que anda meio sumida ultimamente, o Jamiroquai.
Pra quem não conhece, é uma banda inglesa que toca o que se chama de acid jazz, gênero que combina elementos de soul music, funk e disco.
“Travelling without moving” é o terceiro álbum da banda, foi lançado em 1996, e contém o sucesso "Virtual Insanity".

* Fernanda Granado é uma corinthiana nascida em Santos, uma paulista que mora no RS, uma administradora (quase mestre) e, reza a lenda, é a mulher que ensinou aos irlandeses como se joga futebol decentemente.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A pílula do passado para a doença do futuro

O texto do Kidricki (o primeiro postado na seção "Você Escreve") foi um sucesso e obteve uma repercussão muito positiva.
Tão positiva, que "inspirou" o Fabiano a escrever sobre o mesmo tema, porém sob uma ótica diferente.
No texto a seguir, Fabiano tece comentários sobre o que viu, e sobre o que outros deixaram de ver (e sentir?), durante o show do Radiohead, mês passado, no Rio de Janeiro.

A pílula do passado para a doença do futuro

"Venho pensando sobre o tema sugerido pelo Kidricki, desde que, no ano passado vi uma pessoa no Louvre que se punha à frente de cada uma das esculturas, tirava uma foto e seguia adiante. Ao sair dali, pensei: esse cara só viu aquelas obras pela lente da máquina fotográfica! Onde ele estava? Ali ou na frente de um computador assistindo a um slideshow com as fotos capturadas? Essas experiências, bem como o texto do Marcos, também me suscitaram alguns momentos de reflexão, que tento compartilhar com os leitores do blog. Para tanto, concentrei meus esforços no que observei no show.

Radiohead. Os caras, ali na frente de todos, tocando músicas que fazem parte de muitas vidas presentes, ou seja, uma oportunidade singular de catarse, de êxtase, de reviver diversas memórias num só momento.
Olho ao meu redor e vejo sorrisos, lágrimas e a euforia de quem se entrega ao que sente naquele instante. Mas também vejo muita gente se equilibrando, com braços para alto, esticados, tensos, com o olhar dividido entre o palco e a câmera que segura.
Vejo todas aquelas pessoas renunciando o momento, vivendo-o parcialmente, fragmentando sua atenção e perdendo o que aquele encontro tinha a proporcionar. Renunciavam a realidade em favor de possuírem uma cópia asséptica da realidade.
O vídeo gravado, no máximo, estimulará dois de seus sentidos, ao ser visto no futuro, enquanto sua presença, naquele momento, poderia ser estimulada por todos os sentidos. O som, a imagem, as sensações, nunca serão capturadas de forma a proporcionar o que um ser humano sente quando se entrega ao momento presente.
Ao capturar a realidade, tem-se a sensação de se ter o momento, de tê-lo fixado quadro a quadro e, de ter o poder de revivê-lo no futuro diversas vezes.

Atribuo essa disposição, de ter posse do momento, à ansiedade de tê-lo para o futuro, de poder vivenciá-lo de acordo com a sua vontade. Porém, um momento capturado é um momento armazenado em algo diferente de você. É como você nunca ter participado daquele momento. No vídeo, não há identificação do sujeito com a imagem, ou com o som presentes naquela data, pois não foi estabelecida nenhuma relação entre eles.
A percepção e a memória, de quem se atém a filmar o show ao invés de assisti-lo, fundiram-se fragmentadas, de forma estática e o material gravado não as reúne, não consegue restituir a dinâmica das sensações presentes. O todo só é vivido no momento e, por isso, os shows quando estamos presentes são, invariavelmente, melhores do que os assistidos em vídeo.

Voltando ao texto do Kidricki, e misturando nossas percepções, parece-me que a raiz do consumismo está na ansiedade das pessoas. De terem ao alcance de suas mãos algo que as faça superar seus momentos de angústia; superar a insegurança que o momento seguinte representa. Uma espécie de remédio do passado que tem o poder de curar as dores do futuro.
Quando o futuro chega, temos que aproveitá-lo e não desperdiçá-lo ao tentar criar um alívio para o que virá. Até, porque ele chega.

Vide o caso do show.

Ele representou o futuro para muita gente durante um bom tempo, afinal o Radiohead tem mais de 10 anos e ainda não tinha vindo ao Brasil. Essa é a prova de que o futuro pode chegar. O trágico é não saber se ele realmente chegará ou não. Esse é o principal motivo que faz com que muitos fabriquem suas pílulas antimonotonia ao renunciar, talvez, os melhores momentos de suas vidas para suprirem, se for o caso, a dor causada pela não realização de futuros ansiosamente aguardados."

* Fabiano Neves Hoelz é engenheiro, futuro filósofo diplomado e sofredor torcedor do Flu.

sábado, 4 de abril de 2009

Você Escreve

O blog lança hoje mais uma seção.

É o "Você Escreve"!

Sim, o blog a partir de hoje vai abrir espaço pros leitores que tiverem algo legal pra falar pra galera.

Teu blog vai se tornar um coletivo, Puggina?
Não, necesariamente.
A idéia não é ter colaboradores fixos e assíduos, mas sim disponibilzar o espaço todo mundo que quiser escrever alguma coisa.

Qual a minha intenção com isso?
1º - Tentar aumentar o número de atualizações desse blog.
Meu tempo livre pra ficar postando está cada vez menor, então com mais gente escrevendo as atualizações ficam mais constantes.

2º - Incentivar vocês, em especial os amigos mais próximos, a escrever e expor suas opiniões.

Defendo a idéia de que todo mundo deveria ter um blog, duvido que exista alguém que não tenha absolutamente nada pra passar para os outros.

Espero que esses que escreverão para esta nova seção tomem gosto pela coisa e futuramente montem seus próprios blogs.

Portanto, deixo o meu email (puggina@gmail.com) e o meu scrapbook abertos pra quem quiser colaborar com o blog.